Perspectiva em equilíbrio

equilibrioO pensamento gera o sentimento, que gera nossa motivação, que impulsiona nossas ações. Em resumo: o pensamento rege o que fazemos. Mas, e nós – regemos nossos pensamentos?

Quando nos deparamos com situações que exigem ações imediatas, percebe-se que o que somos comanda nossos pensamentos. Os otimistas já prevêem logo as conseqüências positivas das suas ações. Os pessimistas antevêem o desastre antes mesmo de agir.

A vantagem é que PENSAR e SER é flexível o suficiente para ser modificado. Um exemplo prático: quem chega a conclusões positivas, pode treinar a mente para ser mais realista. Vale o contrário para quem é negativista.

Treinar o oposto é sempre um exercício para atingir o equilíbrio. E não estagnarmos na máxima de que nasci assim e vou morrer do mesmo jeito. É interessante ver os resultados dessa evolução quando o piloto automático da mente fica confuso sobre qual reação acionar diante de uma situação inesperada. Sinal de que os pensamentos estão mudando de lugar.

O caminho de quem inova

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Criar projetos inovadores demanda energia, tempo e muita motivação. Primeira característica: ele SEMPRE é incerto. Ninguém começa um trabalho pioneiro e inédito com planejamento, cronograma e custo definido.  No máximo, temos em mente um objetivo e calculamos uma margem de segurança ou um limite de investimento que não extrapole o bom-senso.

Uma inovação também não chega de uma vez. É uma ideia que começa tímida e ganha contornos maiores e mais definidos na medida em que avança. Conquista adeptos e aliados no percurso deste caminho, mas também atrai descrédito. E muito.

Nesta hora, mesmo sem saber exatamente como defender o projeto ou ter números exatos que comprovem sua eficiência, o inovador precisa de coragem para continuar apostando em sua ideia.

Um dia, o que eram rabiscos viram projetos, empresas, realizações bem-sucedidas e invariavelmente os donos dessas ideias inovadoras resumem sua trajetória pontuando os momentos de incerteza e apontando a persistência e a diletância como ferramentas imprescindíveis neste caminho.

Quando a subjetividade de um projeto inovador se concretiza, o risco corrido é recompensado. Mas só quem se aventura por caminhos impossíveis de serem vislumbrados antecipadamente é capaz de inovar. Esta é uma arte que não se aprende – apreende, e inspira.

Decisão e negociação

decisaoDecisão.
Nós adiamos, fingimos que não estamos vendo, interpretando da maneira mais conveniente, saímos pela tangente e… então… um dia a bomba estoura e exige uma resposta imediata. Já te aconteceu isso? Para os empreendedores (*), esta é uma realidade constante. São tantas variáveis a se considerar, que a urgência de uma decisão está sempre presente.

Mas nos acostumamos a levar a vida do jeito que está. Mesmo quando não está como queremos. É difícil mudar. E mais ainda mudar o outro. Tentar encontrar pontos de afinidade e negociar as arestas não faz parte do repertório. “O que o outro faz não pertence ao meu círculo de influência, portanto seus interesses são indiferentes para mim.” Mas eles afetam diretamente nossa realidade e como reagimos neste jogo.

Negociação.
Não nos movimentamos sozinhos, mas sempre comparativamente. Ao outro e ao que éramos no passado ou seremos no futuro. Na melhor das hipóteses, quando os objetivos convergem o resultado é um sucesso. Na pior, toda a energia divergente é gasta à toa e não saímos do lugar.

Decidir é sempre complicado. Ainda que se trate de uma disputa interna. O próximo passo – negociar – é uma saga que avança ainda mais devagar do que esperamos. Mas é cedendo e conquistando que conseguimos chegar a um objetivo comum. Não é o que queríamos exatamente, tampouco o que o outro desejava. Mas é o melhor possível entre dois mundos distintos. É assim que evoluímos em parceria. Porque sozinhos, estamos apenas adiando o importante: a decisão, a ação, a inovação. Exatamente o que buscamos.

(*) Sempre que falo de empreendedores, não me refiro a donos de negócios. Empreeendedores, para mim, é quem empreende um negócio, um projeto, a própria vida. E isso pode ocorrer em qualquer lugar: na sua empresa, no emprego e na carreira pública. Quem empreende, inova. E quem inova, modifica a realidade ao seu redor.

Para inovar, pratique o desapego

abelha_desapegoO ciclo é quase sempre o mesmo para quem busca inovação seja nos negócios, na carreira ou na vida. Primeiro, o acúmulo. Aprender, estudar, incorporar conhecimento. Nunca é demais saber. E cada vez mais as fontes se disseminam, dispersam e nos confundem. Criam um ambiente com muitos dados, mas pouca correlação entre eles. Uma dicotomia muito bem sintetizada na propaganda do jornal Estadão: a diferença entre a informação e o conhecimento (veja o vídeo aqui).

Mas, quase sempre, uma ideia genial surge no meio de tantas outras – ruins. Aquilo que surpreende tem origem no excesso do lugar comum.

E como distinguir o que tem valor? Este é o momento em que a razão (que acumula) precisa dar lugar ao desapego (que descarta). Uma atitude que direciona nossas escolhas mais acertadas. Por quê? Porque o desapego não é uma virtude racional. Ela se encontra no campo da emoção, da subjetividade. E conecta o que temos ou sabemos com uma demanda realmente importante e necessária, dando lugar à inovação.

Praticar o desapego não é fácil. Significa escolher e renunciar.  Deixar de lado o que parece ótimo, mas pesa na nossa bagagem. Isso nos torna mais rápidos e eficazes. Assertivos e objetivos. E marca a diferença entre quem atola em meio a tantas opções e quem elege uma e segue em frente. Até um novo ciclo de renovação. Por isso, vale a pena tentar: conhecer mais para escolher melhor e desapegar do que somos para crescer no caminho do que queremos ser.

A Ciência em si

Semana passada aconteceu a Quarta Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (4ª CNCTI).  O encontro de cientistas de todo o Brasil tinha o objetivo de aproximar a ciência da sociedade para promover o desenvolvimento sustentável.  Para isso, temas como biodiversidade, mudanças climáticas, energia, recursos naturais, desigualdades regionais, educação científica, saúde foram abordados na conferência que pretende estabelecer as diretrizes de Ciência e Tecnologia para o país nos próximos anos.

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Conclusões? São muitas! Complexas e indissociáveis. E serão muito bem utilizadas. Mas o que sintetiza a inspiração desta conferência, vi em uma apresentação musical feita durante o evento com a letra  “Quanta”, de Gilberto Gil. Em meio a tantas discussões sobre assuntos importantes e diversos, foco na reflexão entre Ciência e Arte, ser humano e tecnologia, sustentabilidade e progresso…

Veja o clipe:


Para ver mais:
O clipe de “A ciência em si”:

A inovação do cinema 3D

Cinematografo“É uma máquina de tanta perfeição que as fotografias por ela projetadas revelam-se com tanta nitidez que muitas vezes deixa o espírito observador na dúvida se está ou não diante da própria realidade.”

Publicado em 1898 pelo maior periódico carioca da época, o Jornal do Comércio, o comentário acima descreve as primeiras impressões da exibição do cinematógrafo no Rio de Janeiro.  A chegada da invenção foi coberta de muita curiosidade sobre a nova técnica trazida da Europa: “Apaga-se a luz elétrica, ficando a sala em trevas, e na tela aparece a projeção luminosa, a princípio fixa e apenas esboçada, mas vai pouco a pouco se destacando. Entrando em funções o aparelho, a cena anima-se e as figuras movem-se dando magnífica impressão da vida real.”

Retiro estes trechos de uma pesquisa que realizei sobre a história do cinema (que resultou em um ensaio no livro “Folhas do Tempo”, editado pela UFMG). Foram necessários muitos meses de estudo para compreender a aura de descoberta que o cinematógrafo dos irmãos Lumiére proporcionou às pessoas naquela época.

Sem exagero, me senti uma delas ao assistir o primeiro filme em 3D. A sensação de vida real, a reação das pessoas no cinema e a redescoberta sensorial de uma diversão já tão conhecida me remeteu aos primórdios do cinema. “Estamos ou não diante da própria realidade?” é uma questão percebida diante da imagem tridimensional.

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Assim como os antigos cinematógrafos surpreenderam uma sociedade acostumada aos teatros, o cinema 3D aparece para quebrar mais um paradigma na indústria da diversão. Uma inovação tecnológica capaz de trazer rupturas para toda a cadeia de produtores, fornecedores e exibidores, mas principalmente para os espectadores na forma de vivenciar o entretenimento. Como há mais de 100 anos, isso  gera fascínio (“A tecnologia que irá revolucionar a sétima arte ”) e desconfiança (“Cinema 3D pode desestabilizar noção de equilíbrio e provocar enjôos”). Reações comuns que só aparecem na consolidação de produtos verdadeiramente inovadores.

Se adequar ao cliente e manter o padrão de qualidade

festa_1anoJá começo avisando: contarei o milagre, mas não o santo. O problema não é a exposição dos atores envolvidos, mas a simples constatação de que o ocorrido é apenas uma matriz de qualquer situação que envolva clientes e empresas de serviços. E isso já vale o post e a reflexão.

Liguei esta semana para uma empresa promotora de festas. O discurso me chamou a atenção. O marketing retratava o atendimento cuidadoso – que foge do padrão encontrado nas grandes cidades. Até o preço mais alto se justificava pela proposta diferenciada da empresa. O que me espantou foi a ausência da negociação. A festa para 50 pessoas tinha um valor mínimo que seria igual mesmo se eu levasse apenas 30 pessoas.

Entendo uma questão: produzir festas não é barato. Além da decoração, comes e bebes, a logística da festa exige um padrão no atendimento que é cobrado não apenas por quem contrata o serviço, mas também pelos convidados que o usufruem. Confesso que não entendi o porquê da empresa se dispor a perder clientes sem tentar negociar pacotes para diferentes perfis e necessidades.  Na era da customização, em que tudo pode ser ajustado, esta postura me pareceu bem antiquada, a despeito da proposta inovadora que a empresa introduziu no mercado.

Mas indo mais fundo, ou especificamente do outro lado do balcão, vi que é difícil equacionar a questão. Trabalhar com serviços e se adequar ao bolso do freguês significa sempre alterar o padrão de qualidade. Se a festa custasse metade do preço, com certeza teria metade do investimento, mas ainda assim seria uma festa. E poderia ser um fiasco. Da mesma forma, uma consulta médica ou psicológica, o atendimento de um arquiteto ou um programador. Como medir o real valor do profissional envolvido no processo, sua dedicação ao projeto e compará-lo a outros serviços equivalentes, mas não necessariamente iguais?

Estabelecer preços, padrões de qualidade e o grau de envolvimento em um serviço são variáveis difíceis de se definir em negócios em que valores são tão intangíveis. Depois de fechado, o empresário ainda se depara com um mercado acostumado a ajustes e personalizações. E pronto para exigir a qualidade do serviço bem prestado. O que fazer? Onde inovar? Como adequar o modelo de negócios às aspirações do empreendedor e também às exigências de mercado? São questões que deixo em aberto, por enquanto, mas que adoraria saber as respostas.

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elogieaki

Esta semana, o blog O Pulo do Gato passa a ter link no ElogieAki (www.elogieaki.com.br). Com uma proposta diferenciada, o site pretende abrir espaço para críticas positivas e incentivar empresas que estão no caminho certo. “O elogio motiva e gera confiança. Para as organizações e para os profissionais, a satisfação do consumidor sugere acertos e clientes fiéis criam um dos mais eficientes canais de comunicação – a propaganda boca a boca”, afirmam os criadores do portal.

Numa época em que a informação disponível na internet ganha o poder da disseminação, nada melhor do que inverter a lógica vigente com estímulos construtivos a empreendedores e negócios inovadores. Sucesso à iniciativa.

Proxxima 2010: entre o digital e o real

proxximaEvento discute publicidade, internet, tendências e ações no meio virtual

O Proxxima 2010 poderia ter começado do final. A última sessão de debates com o tema “História e futuro da web no Brasil” reuniu nomes de peso como Silvio Meira (do C.E.S.A.R.), Walter Longo (grupo Y&R) e Romero Rodrigues (Buscapé) para discutirem os últimos 15 anos da internet brasileira e vislumbrarem o futuro nos próximos 15. Com visões bem diferentes entre si, os palestrantes conseguiram contextualizar de forma brilhante o cenário digital no país.

A começar pelo discurso de Walter Longo que apontou impactos no que chamou de “ecossistema digital” que vão desde a redução de emissões de carbono por conta de pesquisas de preço feitas pela internet (“não preciso mais visitar várias concessionárias para comprar um carro”) à gestão de negócios (”as empresas precisam buscar o que é suficientemente bom – o good enough!”). E a fala de Silvio Meira: “Nos últimos 40 anos, a capacidade computacional aumentou de performance 1 bilhão de vezes pelo mesmo preço”.

Durante o evento ninguém se arriscou a fazer previsões exatas, é claro. Alguns apontaram o futuro  para a internet móvel, a interatividade da TV Digital, a força das mulheres nas redes ou a internet das coisas (a computação ubíqua). Com a web cada vez mais onipresente, governos, instituições e pessoas se deslocam para o “ser digital”. Em breve, as estatísticas deixarão de focar pessoas para medir comportamentos. É a partir deste movimento que políticas públicas serão idealizadas e produtos serão lançados. A propaganda digital preencherá lacunas de informação e a distinção entre o offline e o online ficará ainda mais complexa.

O fato é que em dois dias de imersão no mundo digital é interessante discutir tendências, ver experiências que deram certo e vislumbrar novas tecnologias, mas é tão ou mais importante refletir sobre o nosso papel diante de tanta mudança. Prefiro focar minha atenção numa informação relevante passada por Silvio Meira: enquanto 24% das casas brasileiras têm banda larga, apenas 29% têm esgoto tratado.

Pode-se dizer – e foi dito – que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Não concordo. Enquanto tivermos um fosso entre esses dois mundos, continuamos matando várias oportunidades de crescimento e inovação. A sociedade em rede criou não apenas pontos de interseção, mas também amarras. De alguma forma, estamos juntos numa criação coletiva que necessita da colaboração de muitos. Isto pressupõe participação e engajamento. E resulta em progresso e evolução para todos, mesmo que percebida de forma diferente por cada um.

Para saber mais:
- Site oficial do Proxxima 2010, realizado pelo grupo M&M: http://www.proxxima.com.br

Qual é o tempo da inovação?

ampulhetaEsta é uma pergunta que venho me fazendo há algum tempo. Estudando casos e exemplos de inovação, sempre penso em qual momento a simples ideia passou para a fase da implementação. E, principalmente, quando é necessário um novo ciclo inovador.

Para os empreendedores, que vivem em mercados cada vez mais competitivos, o valor da inovação representa a própria sobrevivência do negócio. Reinventar processos e produtos é uma demanda constante que exige criatividade. Mas, se tudo o que é diferente passa a ser denominado inovação, caímos na banalização da palavra. E, convenhamos, um produto repaginado não muda paradigma algum – para mim, o princípio da inovação.

Observando o mercado de tecnologia percebi semelhanças interessantes nas empresas comprovadamente inovadoras (receberam prêmio Finep e têm elevadas taxas de crescimento). Todas elas passam por um ciclo de três meses entre uma boa ideia e o lançamento de uma inovação. Este, talvez, seria o tempo necessário de maturação, em que o insight passa por uma espécie de linha de produção para ser filtrado, testado e, só depois, comercializado.

É claro que nestes casos os processos da empresa já estão estruturados. Novos empreendimentos exigem um pouco mais esforço e tempo, afinal nem processos consolidados existem ainda. Acredito também que cada mercado tem o seu tempo de inovação, pois as variáveis mudam. Entre elas, a percepção do consumidor, o estado da arte tecnológico, os processos industriais e por aí vai.

Cabe ao empreendedor o exercício de conhecer (de novo esta exigência) profundamente o setor em que atua. E também saber discernir entre o diferente e o inovador. Perceber essas nuances pode ser uma boa fonte de insights. Cada empresa, cada empreendedor, cada mercado tem o seu tempo específico para inovar. O ideal é entrar em sintonia com todos eles para realmente fazer a diferença no momento certo.

Mulheres empreendedoras

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A primeira vez que ouvi falar do curso 10.000 mulheres foi na revista Época Negócios. Registrei a informação. Depois, em uma busca na internet, vi a importância do programa. Promovido pelo banco americano de investimentos Goldman Sachs, o curso é oferecido pelas melhores faculdades de administração em cerca de 20 países emergentes, como Brasil, Nigéria, Egito, e tem o objetivo de fomentar o desenvolvimento econômico por meio da educação. A temática: empreendedorismo. O público: mulheres.

Resolvi participar da seleção que começou em fevereiro deste ano na Fundação Getúlio Vargas e tive a feliz notícia da aprovação na semana passada. Para quem me perguntava sobre o curso, passei a explicar, brincando: eles acreditam que só as mulheres são capazes de mudar o mundo! Pois alguém duvida que isso tem um fundo de verdade?…

Na terceira turma do curso, somos 37 mulheres numa diversidade de origens, ideias e perspectivas que dá uma mostra de como serão os próximos meses. Mais do que o aprendizado com professores, teremos a oportunidade de realizar uma troca intensa de experiências entre empreendedoras dispostas a fazer diferença em seus negócios, comunidades, cidades e países. Porque se tem uma característica em comum entre  tantas mulheres é a vontade de mudar a realidade que as cerca.

Estou muito feliz com a chance de aprender e discutir empreendedorismo. Minha certeza é de que o conhecimento gera inovação, desenvolvimento e tem o poder de consolidar e multiplicar novos negócios

Boa sorte a esta turma, na qual me incluo com orgulho. Que o curso inspire reflexões e realizações. O resultado disso tudo será compartilhado com satisfação!

Para saber mais:
- Programa 10.000 mulheres

- Época Negócios: Mulheres na escola